A obra conta a história do Guilherme e como o ato de escrever é uma tortura pra ele. E penso que essa seja uma questão que não
só as crianças enfretam.
No primeiro dia de aula de volta as férias, quando ele e os colegas chegam `a sala, a professora já escreveu no quadro que é pra fazer uma redação de 30 linhas falando sobre as férias. E então ele se questiona como vai escrever dois meses em 30linhas!!! Ele fica tão preocupado com a letra e medindo as palavras que vai usar que o tempo que resta não dá nem pra contar como foi a arrumação da mala!!!!
Bem, a questão que me chamou atenção nisso tudo é como o Guilherme percebe a escrita e como a professora ajudou a reproduzir a idéia de que escrever é uma obrigação.
A redação do Guilherme ficou assim:
"Minhas férias"
Eu sempre adoro as minhas férias na casa do meu avô.
Lá tem um campinho de futebol bem legal e uma turma de amigos bem grande.
Isso é perfeito porque um campinho sem uma turma grande não serve para nada. E uma turma grande sem campinho não cabe em lugar nenhum que não seja um campinho. A gente passa o dia todo jogando futebol e só para de jogar quando já está escuro e não dá mais para ver a bola. Então já é hora de jantar.
Depois do jantar, os meus melhores amigos da turma vão para a casa do meu avô e a gente pode continuar jogando, só que futebol de botão que não dá indigestão. Aí, a gente pode jogar até tarde porque no dia seguinte não tem aula. É por isso que férias é bom.
Achei que desse jeito a minha observação a respeito das aulas ficava mais sutil. Continuei.
Teve um dia que eu fiz um golaço. Não no futebol de botão, no de verdade.
O gol veio de um pase de craque do Paulinho que é o meu melhor amigo entre os meus melhores amigos da turma. Você sabe que para jogar futebol não adianta só ser bom de bola. Tem que ter tatica.
O Paulinho driblou um, dois e eu vi que ele ia passar pelo terceiro. Ele também me viu. Aí eu me enfiei pela esquerad e recebi a bola. Chutei direto. Eu fiz um golaço tão grande que furou a rede e estilhaçou em mil pedaços a janela do vizinho.
Deu a maior confusão porque enquanto a turma pulava o vizinho apareceu bravo com abola em baixo do braço e a mulher dele veio atrás. Eu tive até que parar com a minha comemorassão. Mas a mulher do vizinho que veio atrás dele falou para ele que criança é assim mesmo e que a gente estava só se divertindo e que ninguém fez aquilo de propósito. E era verdade mesmo porque a culpa nossa da rede ter furado. E aí acabou ficando tudo bem. O meu vizinho devolveu a bola, verificou a rede e disse que o meu gol foi mesmo um golaço mas que era para a gente tomar mais cuidado com as janelas da casa do lado. "
A redação voltou cheia de correções em vermelho e o castigo... fazer uma análise sintática.
O fato é que essa é, muitas vezes, a realidade encontrada em sala de aula. Podemos acreditar que o Guilherme pode não ter tido uma boa "apresentção" à escrita e que isso vem se repetindo a cada série. A professora nem levou em consideração sua produção como um todo... só assinalou os erros.... Talvez se primeiro pedisse para eles falarem um pocuco sobre as férias e de alguma forma mostra que escrevendo poderiam representar os mesmos fatos, ou até que aquela redação poderia ser guardada e futuramente a ler cada um poderia relembrar como foi aquele momemento... talvez fizesse o ato de se escrever fizesse muito mais sentido para o Guilherme.
Achei interessante trazer essa abordagem porque nos faz refletir quanto as nossas práticas. A intimidade com a leitura e com a escrita precisa ir acontecendo desde antes do processo efetivo de alfabetização. Penso que desde o início, se a criança tiver uma boa relação com esses elementos através de uma mediação adequada realizada pelo professor, a leitura e a escrita fluirão mais facilmente nos anos seguintes.
Thais, bela dica de livro para um trabalho de leitura diferenciado!!
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ResponderExcluircinthia holmes e watson, outro dica , terminei a leitura a agora fui procurar outros livros achei vc bjs ,,,,,,,,
ResponderExcluiros sonhos não envenhecem...... miltom nascimento, marcio borges,,, e muita gente interessante que escreveram, naqueles tempos incriveis a historia desse pais, letras de musica , historia deles, tudo, uma otima leitura bjs
ResponderExcluirMárcio Borges narra histórias reais de uma época, anos sessenta e setenta, em que o Brasil vivenciava a busca de um sonho, de uma "utopia possível", calado pelo autoritarismo e arrogância. Momentos de um Brasil conturbado e trágico mas culturalmente rico e fértil. Ele narra momentos vividos com seus companheiros do Clube da Esquina (movimento cultural e original surgido nas montanhas de Minas Gerais e que influenciou os jovens e a música popular brasileira, sobretudo através de um de seus participantes mais ilustres, Milton Nascimento). Ele mais que narra com maestria esses momentos históricos, ele nos convida a "ver" um filme vivido por ele e seus parceiros, amigos, e o variado time do show-bizz, num Brasil caótico, magnífico, sofrido, miscigenado, simples, inteligente, espontâneo, monumental, poético e visceralmente musical.O livro torna-se um excelente observatório de gerações, onde o ser humano não tem medo de lutar e viver por um sonho. Ele mostra através de um texto poético seu talento como escritor e músico, em imagens pertubadoramente reais e próximas de nós. Recortes, flashs de personagens, histórias, imagens musicais que nos remetem à nossa história vívidos em nossa memória e que ainda atuais, porquanto o sonho continua, não morreu e não envelhece jamais.
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Obrigado pela avaliação.
Muito Obg Thais
ResponderExcluirO seu blog esta mto bom !
Meu filho de nove anos trouxe este livro para casa, para o ler.
ResponderExcluirAntes de eu ler uma página para meu filho mais novo, de cinco anos, o mais velho disse que ele não gostaria dele.
Quando comecei a ler, entendi do que ele estava falando.
Entendo que a autora tenha querido escrever à maneira de uma criança, mas penso que meu filho não gostou disso e que essa maneira não é boa para ele.
Algumas frases são de difícil compreensão, por falta de pontuação e de síntase correta.
Espero que essa crítica seja produtiva para, quem sabe, até a própria autora. Vê-se de seu comentário, ao final do livro, que ela não escreve daquela maneira, embora a colocação pronominal, e outros pormenores, talvez propositadamente, não obedeçam à norma culta da língua portuguesa (culta, em oposição à coloquial).
Eu estou estudando esse livro é muitoo legal....estou na 7º série e diferente do Guilherme eu amo ler e escrever...Bjos e obrigada!!!
ResponderExcluirNossa amei me aludou muito obrigado
ResponderExcluirAmei obrigado de mariangela
ResponderExcluirachei esse livro um massimo muito enteressante
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